Jornalista e escritor, produz poemas, contos, textos de humor e teatro, histórias infantis, notas e críticas. Nasceu em Caruaru e chegou ao Recife aos 9 anos. Foi preso político de Pernambuco de 1971 a 1979. Seu lema é: poesia, prazer, amizade, humor, na conjuntura que for. Politicamente é seguidor do Detran: sempre à esquerda, não ultrapasse pela direita.
Para os que pretendem conquistar espaços políticos visando favorecer diretrizes de desenvolvimento econômico-financeiro e políticas públicas voltadas para a maioria da população e seus diversos segmentos explorados e oprimidos, é necessário conquistar uma base política que assegure a eleição de representantes executivos e parlamentares nas três instâncias da federação - prefeitos, governadores, presidente, vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. O que também repercute na composição do poder judiciário.
No Brasil, tem-se verificado uma ampliação progressiva das representações da direita, e até da extrema direita, em todas essas instâncias. Paralelamente ao encolhimento das representações da esquerda e centro-esquerda. O que se evidencia nos resultados das últimas eleições para os Conselhos Tutelares, que repercutem nas eleições para vereador e prefeito, como primeiro degrau do processo eleitoral, de inegável importância para o estágio seguinte.
A origem
Isto decorre, em grande parte, do fato de se ter no Brasil uma esquerda associativista, que atua, prioritariamente, ou quase exclusivamente, em sindicatos e demais entidades representativas de categorias profissionais ou ligadas aos diversos movimentos. Sem marcar presença no cotidiano das comunidades. Onde estão presentes os evangélicos, os bandidos e milicianos e os cabos eleitorais tradicionais, fazendo o trabalho de base ao seu modo.
A legislação eleitoral brasileira prevê a formação de diretórios dos partidos políticos em cada zona eleitoral de uma cidade. Mas os partidos políticos da esquerda e da centro-esquerda brasileira, de todas as colorações e divergências, estão muito mais que unidos no denominador comum da ausência.
E neste particular, cabe ao PT a maior responsabilidade. Em primeiro lugar, por ser o maior partido de esquerda do Brasil, o que é repercutido na sua propaganda com o acréscimo de ser ?o maior partido de esquerda da América Latina?.
Em segundo lugar, por uma questão de incoerência programática, pois no seu Manifesto Programa de 1980 está escrito que se atuará na institucionalidade, mas com a preocupação de inserir milhões e milhões no processo político, com a organização de núcleos de militantes por locais de trabalho, movimentos sociais e locais de moradia.
De 1980 a 2023 são 43 anos de esquecimento e de calejamento. E como diz o ditado, o hábito do cachimbo faz a boca torta.
Dados da Conjuntura
A reversão desse calejamento do PT e dos partidos de esquerda brasileiros, pressupõe uma mudança radical nas prioridades e nos métodos de atuação, com um planejamento a longo prazo para o enraizamento nas comunidades. Coisa que ultrapassa o calendário das eleições bienais da república e leva tempo. E cujos resultados são lentos, passando pelos naturais aprendizados de ensaio e erro. Porque em política, mesmo em conjunturas e condições favoráveis, não existem milagres, mas frutificações que resultam de semeaduras. Para as quais é necessário selecionar sementes e mudas, plantar e cultivar.
Essa ausência das forças de esquerda e centro-esquerda do Brasil no cotidiano das comunidades é um componente significativo a ser considerado nas análises da conjuntura política.
Por outro lado, observa-se uma maior consciência ante os riscos do neofascismo e do golpismo, a partir da invasão e da depredação tresloucada dos três poderes no dia 8 de janeiro. O poder judiciário reagiu com firmeza. Temos, na história do Brasil, direitistas respondendo a processos e sendo presos.
Mesmo que timidamente, abre-se a cortina do envolvimento de militares na politicagem, na corrupção e nas articulações golpistas, favorecendo a visão de uma subordinação das forças amadas ao poder civil. Há uma constante reiteração da necessidade de se respeitarem as regras do jogo democrático no que se refere aos resultados eleitorais. Inclusive, envolvendo a chamada direita civilizada.
Resultados previsíveis
A esquerda ausente nas comunidades e o fortalecimento gradativo das forças de direita e extrema direita. Uma maior consciência liberal no que diz respeito às instituições, aos resultados eleitorais, ao neofascismo e ao militarismo. Mantido esse quadro, haverá o natural fortalecimento do centrão nos níveis municipal, estadual e nacional, exigindo espaços e impedindo maiores avanços democrático populares ali onde as coalizões de esquerda conquistarem o poder executivo. O que aponta, a longo prazo, para um Brasil liberal conservador. Por um lado, a república garantida ante o neofascismo e os golpes de direita. Por outro, vacinada contra os avanços democrático populares. No máximo, chegando aos frutos do social liberalismo. Sim, porque em política não existem milagres, mas resultados de plantio e cultivo nos canteiros certos.