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 Entrevista com Rodrigo de Morais


O sindicalista Rodrigo de Morais descreve a desigualdade em São Paulo como uma imagem bipartida: tendo o Rio Tietê como referência, diz que ?da ponte para dentro? a cidade é desenvolvida, urbanizada, e a sensação de segurança é maior, ao passo que nas regiões periféricas há ?falta de oportunidade para lazer, esporte, cultura? e, claro, muitas carências.

Como metalúrgico, vê com preocupação que a megalópole esteja deixando de ser uma cidade industrial, em competição desfavorável com a construção imobiliária, o que preocupa sobretudo porque os salários pagos nos setores de serviços e no comércio são menores.

Alude a dados do Dieese para apontar que o custo de vida subiu muito desde 2014, quando se interrompeu um processo de progressão salarial e, sobretudo depois do impeachment de Dilma Roussef, a situação piorou para os trabalhadores. Iniciou-se uma guerra contra o movimento sindical, especialmente com as reformas Trabalhista (governo Temer) e da Previdência (governo Bolsonaro).


Empreendedorismo e desamparo

Os sindicatos, na visão de Morais, sofrem porque seu custeio se tornou mais difícil, no caso dos metalúrgicos as bases encolheram, e de modo geral os dirigentes sindicais pertencem em muitos casos a uma geração cujas formas de comunicação não sensibilizam os novos trabalhadores.  

Ele é candidato a vereador (pela segunda vez; já havia concorrido em 2020) porque percebeu que conquistas dos trabalhadores frequentemente são contrariadas por decisões da Câmara Municipal e da Prefeitura que promovem a diminuição da qualidade de vida dessas pessoas. Quer ser uma voz dos trabalhadores na Câmara. 

Sobre o conflito entre o estímulo ao empreendedorismo e o pertencimento a algum coletivo, explica que muitos trabalhadores ganham mais no fim de semana, trabalhando sem intermediários na garagem de casa como serralheiros, do que na fábrica. Trata-se de uma situação paradoxal, reconhece, complexa, com risco de desamparo, e vê como desafio descobrir como fazer para que ?pessoas que têm uma veia empreendedora não deixem de se sentir trabalhadores?.


Rodrigo de Morais é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, ligado à Força Sindical, e candidato pelo Solidariedade à Câmara Municipal paulistana. 


A entrevista a seguir foi concedida a Mauro Malin em 23 de agosto de 2024.


? Você é dirigente metalúrgico e candidato a vereador pela cidade de São Paulo. Poderia nos dizer algo mais sobre os seus dados biográficos?

Rodrigo de Morais ? Eu nasci e me criei no bairro da Vila Curuçá, na Zona Leste de São Paulo.

Eu nasci no ano de 1979. Estudei a minha vida toda na escola pública, até o final do segundo grau. Depois, fiz faculdade de Educação Física, me formei com 27 anos. Na sequência eu vim para o movimento sindical. Fiz então o curso de Ciências do Trabalho no Dieese, para entender melhor a relação entre o capital e o trabalho, como o movimento sindical se desenvolveu no Brasil e no mundo.


? E como começou a sua trajetória no movimento sindical? 

Rodrigo de Morais ? Eu acompanho o meu pai desde os sete anos de idade.  Meu pai foi um metalúrgico muito atuante lá no bairro, na comunidade, na associação de moradores do bairro, na região da Vila Curuçá. Aprendi com ele essa questão do envolvimento com a comunidade, participando também desde garoto das assembléias de metalúrgicos, muitas vezes de eleições sindicais. Assim, esse ambiente não foi estranho para mim quando eu vim militar no sindicato de São Paulo. Eu já tinha essa bagagem, desde garoto, a trajetória do meu pai.


? Para meu esclarecimento e dos leitores, você poderia nos indicar um ponto de referência geográfico da Vila Curuçá?

Rodrigo de Morais ? A Vila Curuçá fica entre São Miguel Paulista e Guaianazes. Ela cresceu tanto que se emancipou. Hoje ela fica na região mais populosa da América Latina, a Leste 1, entre São Miguel, Guaianazes, Itaquera, Cidade Tiradentes, São Mateus e Itaim Paulista.


? E como você começou o seu trabalho na indústria?

Rodrigo de Morais ? No ano de 2002 eu entro para o setor administrativo de uma metalúrgica chamada Lousano Fios e Cabos Elétricos. Eu fico ali até 2006, quando ela começa a ter problemas financeiros e é fechada. Trabalhando na parte financeira, eu tinha acesso a informações ligadas ao pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores. Estamos falando de um montante de cerca de 4 milhões de reais à época e esse valor poderia fazer a quitação de uma parte das verbas trabalhistas naquele momento.


? Quantos trabalhadores havia nessa empresa?

Rodrigo de Morais ? Tinha 120, na parte fabril.


? E você foi para onde depois?

Rodrigo de Morais ? Depois eu fui convidado para desenvolver um trabalho com os metalúrgicos de São Paulo durante seis meses. Mas as coisas se desenvolveram rapidamente e eu acabei me firmando como assistente sindical e trabalhando na Metalúrgica Indab, que é uma empresa de autopeças, em Itaquera. Eu dei sequência na carreira como sindicalista. Em 2012, fui convidado pela primeira vez a compor a chapa de diretoria aqui nos metalúrgicos de São Paulo.


? Quem era o presidente da chapa?

Rodrigo de Morais ? Miguel Torres.


?  E continua sendo ele?

Rodrigo de Morais ? Continua sendo Miguel. Nós acabamos de ter eleição agora nos últimos dias 6, 7 e 8 de agosto e eu fui convidado a permanecer na chapa por mais quatro anos.


Eu queria lhe pedir para falar sobre a situação social na cidade de São Paulo. Qual é a sua visão da desigualdade, das dificuldades, dos grandes temas de segurança, saúde, educação, transporte, saneamento?

Rodrigo de Morais ? A gente entende que a cidade é muito diversa, porque se você pega da ?ponte [Rio Tietê] para dentro?, para a região central, ela é uma cidade desenvolvida, urbanizada, temos uma sensação de segurança maior do que na periferia.

Podemos dividir esta cidade de várias formas. Eu estou lá no fundo da Zona Leste, a gente percebe a falta de oportunidade para lazer, esporte, cultura, coisa que não se vê na região central.

Mas os dependentes químicos estão espalhados na cidade toda. E eu penso que não se trata de uma questão de segurança pública, mas sim de saúde pública. São nossos semelhantes, e muitas vezes o poder público não está conseguindo interagir para garantir a recuperação da dependência química e um tratamento adequado.

Outra dificuldade é que São Paulo está deixando de ser uma cidade industrial para se tornar uma cidade mais voltada aos setores de serviço e de comércio. E ficamos preocupados, não só porque nós temos a base sindical na indústria, mas também porque com frequência esses novos empregos estão pagando menos do que se pagava na indústria no passado recente. Então, eu vejo uma cidade muito desigual, economicamente falando, e também muito desigual socialmente falando, na questão das oportunidades.

Você pega, por exemplo, a Cidade Tiradentes. Tem mais habitantes do que 92% dos municípios do Brasil, mas que tem apenas um hospital para atender aquela população (220 mil moradores). Em contrapartida, a região da Avenida Paulista tem no seu entorno 32 hospitais. Você percebe que existe uma centralização dos melhores serviços na região da Paulista, na região da Berrini, na região central, e um trabalho subdesenvolvido, oferecido para a população nos extremos da cidade, não só na Zona Leste, mas nos quatro cantos da cidade.


Deixe-me perguntar sobre a situação social específica dos trabalhadores em fábricas. O que está ocorrendo?

Rodrigo de Morais ? A gente acompanha o Dieese, e vemos que o custo de vida aumentou demais desde 2014, enquanto que os salários não acompanharam este crescimento. Isso provocou um arrocho salarial. Hoje as famílias estão tendo dificuldades para manter um patamar que alcançaram no final de 2013.

O que eu vejo hoje é que os trabalhadores não estão conseguindo honrar o pagamento do aluguel, compra de mantimentos, de vestimentas. Então, a gente percebe um descontentamento muito grande por parte dos trabalhadores com a renda atual.


Você diz que a melhoria relativa do salário teve o seu ápice em 2013. Mas há uma explosão de rebeldia em 2013, que vai se transformar em uma onda de direita. Como você explica este aparente paradoxo?

Rodrigo de Morais ? Hoje nós temos mais clareza do que ocorreu. O movimento começou com os 20 centavos da passagem de ônibus. Houve um manifestante ferido e a imprensa inflamou os acontecimentos, denunciando a repressão policial exagerada. De fato, houve repressão exagerada.

Mas logo em seguida as manifestações se transformaram em ?não vai ter Copa?, ?não à Fifa?, queremos dinheiro para os hospitais, para as escolas. E aí esse povo, que é o antissistema e a direita mais radical, se apropriou daquele momento em que a classe trabalhadora e as pessoas em geral estavam melhorando a sua renda e tendo mais poder de consumo, para dizer que a gente queria e podia muito mais.

Houve uma canalização para essa coisa do antissistema, da antipolítica, de que a política não estava respeitando os cidadãos, que estavam investindo muito dinheiro na Copa do Mundo, em vez de construir hospitais ?padrão Fifa?, etc. E, na minha avaliação, culminou na questão do impeachment da presidenta Dilma, que foi uma tragédia para os trabalhadores e para o país. E deu, passando pelo governo Temer, no efeito Bolsonaro, que vem com a eleição de 2018 e que culmina com a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista atacando diretamente a renda dos trabalhadores.

Eu acho que os trabalhadores só estão percebendo isso agora, quando o dinheiro deles compra menos do que comprava antes.


O que você diria dos metalúrgicos, em particular, dentro do contexto que descreveu?

Rodrigo de Morais ? Nós estamos com uma dificuldade muito grande, porque quando eles tornaram facultativo o custeio sindical, no momento que o trabalhador está com o poder de compra menor, logicamente ele vai querer preservar a renda dele, o salário dele. Então, nesse ambiente de antipolítica, de antissistema, anti-instituições, o sindicalismo, como foi berço da projeção de muitas lideranças, não só sindicais, mas políticas, acaba sendo atacado totalmente.

Tanto que a primeira declaração que o então presidente Bolsonaro dá em relação ao sindicato é que todos os sindicatos no Brasil deveriam acabar. E, enfraquecendo os sindicatos, ele consegue enfraquecer a renda dos trabalhadores e os direitos dos trabalhadores. Então, nós, os metalúrgicos, estamos passando por um momento muito delicado, que é a diminuição na arrecadação, a diminuição no quadro associativo.

Eu vejo também que a gente está tendo que se reinventar no meio da guerra. Nós estamos passando por uma situação de transição, a maioria dos nossos dirigentes já estão há algum tempo no movimento. E a nova classe trabalhadora na fábrica, na minha opinião, não criou uma identidade com esses dirigentes. Então, nós estamos tendo essa dificuldade de nos conectar novamente com os atores da classe trabalhadora atual.


Como está a situação atual dos metalúrgicos dentro das fábricas, a situação de vida laboral, de vida, de moradia, de família, escola, tudo isso?

Rodrigo de Morais ? Nós já fomos considerados uma referência para o movimento sindical brasileiro, como aqueles que ganhavam os melhores salários da indústria. Hoje, estamos com o salário muito arrochado e temos percebido um descontentamento muito grande dos trabalhadores em relação à renda e em relação aos benefícios.

Eu acho que a ficha da Reforma Trabalhista para os trabalhadores só está caindo agora. Eles acharam que era só o fim do imposto sindical, mas houve um movimento dos empresários pela retirada de direitos. Por exemplo, algumas empresas que forneciam um convênio médico para a família inteira do titular, que é o trabalhador ou a trabalhadora, fizeram um movimento de deixar o convênio médico só para os titulares. Ou estavam admitindo os novos trabalhadores com benefícios menores do que tinham os trabalhadores antigos.

Por exemplo, as montadoras estão fazendo o piso da categoria para os trabalhadores novos, investindo em renda variável via PLR (Participação nos Lucros e nos Resultados)Nós percebemos que houve um movimento de arrocho nos salários, de diminuição da renda dos metalúrgicos.


Agora você se tornou candidato. É um momento em que é obrigado a pensar nas prioridades em matéria de políticas sociais numa cidade como São Paulo. Eu gostaria de ouvi-lo sobre isso.

Rodrigo de Morais ? Eu tenho duas formações. A primeira é em Educação Física e a segunda é Ciência do Trabalho. Acredito que tenho certa autoridade e até certo conhecimento para falar desses dois assuntos.

A primeira proposta é a atividade física para idosos nas praças públicas, com assistência de um profissional de educação física. Porque a atividade física prolonga a vida dos nossos idosos e também a promove a saúde. Isso evita os hospitais, o uso de medicamentos, essa coisa toda.

Quero apresentar uma proposta na Câmara de Vereadores de São Paulo para que a maioria das praças da cidade tenha atividade física para idosos, com a presença de um profissional de educação física na parte da manhã. Além disso, ofertar essas mesmas atividades esportivas e culturais com a presença de um profissional de educação física para as crianças, após o turno escolar. Crianças que muitas vezes ficam sem ter o que fazer. Ocupar as praças públicas durante a semana com atividade física para as crianças no final da tarde.

E promover um projeto chamado ?Música nas Praças?, levando a parte cultural e artística para as periferias durante o final de semana, com a música nesse espaço de convivência em comum.


Você já falou da carreira sindical. Eu lhe pergunto por que optou por entrar na vida político-partidária.

Rodrigo de Morais ? É uma resposta bem objetiva e simples. Eu percebi que na porta da fábrica a gente conquistava aumento de salário, PLR, cesta básica, um plano de saúde melhor.  Mas às vezes, em uma canetada da Prefeitura, dos vereadores da cidade de São Paulo, a gente perdia qualidade de vida, muitas das vezes naquilo que a gente tinha como base. E também, o trabalhador se incomodava muito de não ter uma estrutura no bairro onde ele mora igual à que ele tem na fábrica em que trabalha. Então, o poder público tem um alcance além da porta de fábrica, além dos metalúrgicos.


E a questão de você se apresentar para uma candidatura?

Rodrigo de Morais ? Eu ouvi uma vez um político famoso brasileiro dizer que às vezes o político que você procura nas pessoas pode estar dentro de você, pode ser você mesmo. E aí eu percebi que tinha um vácuo para ser ocupado por uma nova candidatura, que tenha um vínculo com os trabalhadores, com a periferia. Então, resolvi me apresentar para esse projeto, na esperança de ser uma voz dos trabalhadores na Câmara Municipal de São Paulo.


Você entrou em qual o partido?

Rodrigo de Morais ? É a segunda vez que concorro a vereador. Em 2020, eu fui convidado para preencher os quadros da chapa porque teve a minirreforma política naquele ano, e o PCdoB ia ter que lançar uma chapa completa, coisa que há muito tempo não fazia. Então, abriram vagas para novas candidaturas. E eu, como nunca tinha tido uma experiência de candidatura, resolvi aceitar.

Mas foi uma candidatura alternativa, não tive o apoio dos metalúrgicos, porque o ex-presidente [Luiz Antônio] Medeiros também foi candidato. E nós nos surpreendemos, tivemos mais de 5 mil votos. Avaliamos que foi uma votação expressiva.

Desta vez eu fui convidado pelo Solidariedade, a partir de uma costura com os metalúrgicos e com a Força Sindical, para ser o candidato majoritário dos metalúrgicos, da Força e também para ser o cabeça de chapa do partido para disputar essa vaga de vereador. E é nesse sentido que a gente está apresentando a nossa candidatura para a cidade e para os trabalhadores.


Como cidadão e como candidato, quais seriam as suas demandas específicas e a sua expectativa diante da eleição do novo prefeito? Por onde vai caminhar sua campanha nesse âmbito mais geral?

Rodrigo de Morais ? Independentemente de quem seja o próximo prefeito, eu acredito que eu consiga atuar na pauta dos trabalhadores na cidade, na manutenção dos empregos da indústria, buscando um equilíbrio entre o setor imobiliário e a manutenção das indústrias na cidade.

Como eu tenho formação em ciência do trabalho, vou tentar identificar onde a gente consegue encaminhar essa situação do trabalhador ser empreendedor, trabalhar para si próprio, a gente conseguir interagir e ter direitos, empreender dentro de um sistema em que você possa contribuir para o sistema de Previdência Social, com os sindicatos sendo fortalecidos novamente, para que o trabalhador se sinta protegido e consiga sustentar suas famílias.

Minha candidatura se apresenta como uma voz de todos os trabalhadores, não só da indústria, na Câmara Municipal. A gente percebe que outros setores da sociedade estão muito bem representados, empresários, por exemplo, principalmente do setor imobiliário, ele tem muita representação, tem a bancada da Bíblia, tem outras representações da cidade na Câmara de Vereadores, e os trabalhadores, a nosso ver, têm um espaço a ocupar. A nossa candidatura quer ser a voz dos trabalhadores na cidade de São Paulo.


Deixe-me perguntar uma coisa talvez um pouco embaraçosa, mas você mesmo tocou nesse assunto. Eu vejo, assim como muitas outras pessoas, uma contradição entre o discurso do empreendedorismo e a ação coletiva, conjunta, organizada, sindical ou outra. Como você equaciona o empreendedorismo, que na minha visão e de outros é um discurso que interessa ao patronato, com a ação coletiva?

Rodrigo de Morais ? Vou dar exemplo, para ser bem prático. Alguns serralheiros estão ganhando mais dinheiro fazendo bico na garagem de casa do que trabalhando na empresa. Porque estão fazendo vendas diretas, sem intermediários, sem ninguém para ficar com parte do dinheiro.

Só que ele não está coberto pelo sindicato, ele não está protegido pela legislação ao fazer um bico em casa. Então, na nossa visão, como a indústria está pagando muito mal, diferente de outros setores, como de tecnologia, por exemplo, a gente acredita que temos que incentivar os trabalhadores a procurar a melhor renda, sem ele perder essa visão de que pertence a uma classe de trabalhadores, que ele faz parte da base da economia e tem que enxergar não só as instituições, como o sindicato e o próprio governo, esse mediador entre ele e a economia, para que ele não se sinta sozinho e desamparado.

Se você reparar, as grandes cidades do mundo migraram para o serviço e para o comércio. Praticamente, a maioria das cidades do mundo, como Nova York e Paris, abriram mão das indústrias. Tóquio, não, que ali tem muita tecnologia, é mais aprimorado. Mas a gente percebe que São Paulo está caminhando para esse destino de expulsar as indústrias da capital, ficando só com os empregos no setor de serviços.

Então, realmente é paradoxal, é meio complexo, mas nós vamos ter que descobrir uma forma de fazer com que pessoas que têm uma veia empreendedora não deixem de se sentir trabalhadores. Porque eu acho que a grande armadilha do capitalismo e do patronato é dizer que todo mundo pode ser seu próprio patrão, que todo mundo pode ter uma empresa, que todo mundo pode enriquecer, quando a gente sabe que não tem riqueza para todo mundo.


Qual seria o significado nacional da campanha eleitoral na cidade de São Paulo?

Rodrigo de Morais ? A gente acredita que candidaturas de trabalhadores ligados ao movimento sindical combatem o avanço da extrema direita. A extrema direita tem disputado um espaço com uma narrativa muito perigosa para a democracia e, principalmente, para os trabalhadores e os mais pobres. Então, uma candidatura nossa na cidade de São Paulo significa que o campo progressista, essa grande frente ampla que derrotou Bolsonaro em 2018, vai se fortalecer novamente, para que a gente possa voltar a promover políticas públicas que valorizem os trabalhadores, que valorizem a periferia, que valorizem as mulheres, que valorizem as minorias, para a gente voltar a andar para frente na sociedade brasileira.

Porque a gente percebeu o retrocesso que o país teve nesses quatro anos de Bolsonaro, com o negacionismo e tudo que se sabe. Acredito que a nossa candidatura representa mais um vereador numa grande cidade como São Paulo que pensa nos trabalhadores, que pensa nas pessoas da periferia, para que a gente possa combater com mais força e com mais espaço político esse avanço do conservadorismo na nossa cidade e no nosso país.